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Microgerenciamento: Por vezes, uma boa intenção. Quase sempre, um péssimo resultado

Atualizado: 26 de Jul de 2019



Não falta literatura a respeito. Gerenciar um negócio, em tempos onde empreender passou a ser o assunto da moda, pode soterrar você de (des)orientação. Se você deixar o negócio solto vai ter problemas pois, como diz o ditado popular “é o olho do dono que engorda o boi”. Mas se você se intrometer em tudo, vai microgerenciar as pessoas, já que dizem os gurus em administração “é preciso dar autonomia”. Uma fórmula coerente, mas longe de ser simples de aplicar.


Gerenciar um negócio não é tarefa para amadores. Embora grande parte dos gestores, principalmente se forem os fundadores de suas empresas (como foi o meu caso!) comece exatamente assim, como amadores. Por definição, isso não é nenhum problema, já que a palavra amador significa “aquele que ama”, que faz por amor. Mas o fato é que a falta de experiência nos faz penar um bocado até aprendermos minimamente o necessário. Amar o que se faz pode nos ajudar muito a superar o início, nos dando forças para seguir em frente e absorvermos conhecimentos que nunca imaginaríamos adquirir. O problema, às vezes, está exatamente quando obtemos sucesso nessa jornada.


A empresa cresce, contrata novos funcionários e vai se transformando em um negócio mais complexo. É aí que a responsabilidade de gerenciar passa para outro nível, onde temos que conseguir multiplicar o conhecimento que conquistamos, dar autonomia para que outros façam também as tarefas que antes eram nossas, e ao mesmo tempo supervisionar, garantindo que o padrão de qualidade original seja mantido.


O vilão mais conhecido é o gestor ausente. É comum correlacionarmos um processo que não funciona à falta de alguém supervisionando o trabalho, e diversas vezes isso é exatamente o que acontece. Uma empresa precisa de alguém que se responsabilize pelo andamento dos negócios. Alguém para quem as pessoas possam confiar e recorrer em caso de dúvidas e, fundamentalmente, alguém a quem elas tenham que prestar contas.


Mas existe um outro vilão tão prejudicial quanto a falta de supervisão, que é o microgerenciamento. Por vezes, uma postura dessas está coberta das melhores intenções. O gestor é muito preocupado com o negócio, deseja genuinamente que a organização do trabalho saia da melhor maneira possível, porém em determinadas situações exageradas, ele passa a querer controlar absolutamente todas as coisas, até aquelas de menor importância, em detrimento das atividades prioritárias. Deste comportamento, resultam pelo menos duas consequências: primeira, total falta de autonomia dos funcionários, gerando estresse pela pressão constante; e segunda, sobrecarga do gestor que, na ânsia de cuidar de tudo, acaba não cuidando de nada.


Em mais de 10 anos de trabalho, quase 8 deles pela Carpes, já convivi de perto com ambas as situações e percebi que o microgerenciamento pode ser tão ou mais prejudicial para uma organização quanto uma supervisão distante. Aprendi com um cliente nosso, que me disse certa vez: “ou você faz ou você supervisiona.” Gravei isso na memória pois é uma grande verdade. Não dá para fazer as duas coisas. É preciso escolher um dos papéis.


Não acredito em fórmulas mágicas, mas pode-se encontrar uma boa sugestão em dois sábios ensinamentos do Budismo (mesmo que você, assim como eu, não seja budista): “Tente praticar o Desapego”, treinando e confiando nos seus profissionais. E “Encontre o Caminho do Meio”, ou seja, nem gerencie de menos, nem demais. Equilíbrio é sempre uma boa sugestão.



Miguel Carpes

Sócio da Carpes


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