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Mais que uma palavra



Pa-la-vra. A palavra sempre expressa algo, sempre enuncia alguma coisa. É com ela que exteriorizamos pensamentos, ideias, sentimentos, e criamos comunicação com as pessoas. Todo tempo estamos formulando frases, tentando encontrar na palavra, que pode ser sonora ou gráfica, nossa interioridade e estabelecer com as pessoas uma relação. Somos dependentes da palavra. Estamos o tempo todo nos abrindo para as palavras e também influenciados por ela.


Para cada situação que queremos comunicar existe uma palavra adequada. Existe um termo ou uma expressão correta. Devido a rapidez da informação atual, oriunda da velocidade da internet e do processamento ágil, muitas vezes as palavras não retratam o que queremos informar, perguntar ou responder. Acabamos, como diria o Velho Guerreiro, grande comunicador, nos trumbicando. Um vocabulário inadequado leva ao equívoco, que por sua vez, leva ao conflito.


Minha relação com as palavras acabou resultando na minha profissão: publicitário. O publicitário, antes de saber vender, é o cara que sabe escolher as palavras. É o cara que separa o joio do trigo. O preto do branco. O desconhecimento da comunicação. Aliás, expressar uma ideia com clareza é um grande desafio. Não é à toa que vemos grandes campanhas publicitárias com reclamações de consumidores que sentiram-se lesados pela dúbia informação. A redação publicitária é a área da propaganda que busca a melhor forma de comunicar o produto ou serviço para o público.


Isto significa que não temos palavras neutras ou vazias que não signifiquem alguma coisa. Mesmo palavras aparentemente vazias, estão mexendo conosco. Na luta com as palavras nós podemos ser manipuladores ou defensores de boas ideias. Ao invés de sermos vítimas, podemos transformar, podemos mudar uma sociedade usando as palavras de uma maneira adequada, correta, inteligente ou estratégica.


Mas para haver inteligência (do latim “inter-legere” - escolher dentre), na seleção das palavras, precisamos do suporte da etimologia, que é responsável pelo estudo da origem da palavra, da raiz dela, ou seja, do significado por trás do simbolismo original e sua evolução de uso na história. Graças a etimologia podemos também excluir o caráter pejorativo que palavras e expressões vão sofrendo ao longo do tempo. Quantas vezes já ouvimos de forma degradante que uma pessoa “sabe de cor” um determinado assunto? Saber de cor vem do francês “savoir par coeur” que significa “saber por meio do coração”.


Vale destacar também, como diria o grande professor Édison de Oliveira “falar/escrever é como se vestir: depende da ocasião”. Não faz sentido praticar esporte de roupa social ou vestir agasalho em uma reunião de negócios. Há um equívoco. A palavra não pode ser negligenciada, ou representada de qualquer maneira. Ela reflete quem nós somos e o que de fato nós desejamos para nós, para a sociedade e para as pessoas que nos rodeiam.


O uso da palavra, portanto, não pode ser inconsciente e irresponsável. Temos que nos comunicar com mais lucidez. As palavras têm o poder de ferir ou curar. Elas atuam sobre as pessoas. No início, no meio e no fim, tudo é palavra.



Byron Andrew

Sócio da Carpes


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